Tesouro Selic (LFT): Tudo Sobre, Vantagens e Riscos Para o Investidor!

O título mais conhecido entre os investidores certamente é o Tesouro Selic, ele possui um baixo risco de perda de valor, isto é, baixo risco de mercado, e ainda é considerado como sendo o título mais conservador entre todos aqueles ofertados pelo Tesouro Direto.

O que é o Tesouro Selic (LFT)

O Tesouro Selic era chamado de Letra Financeira do Tesouro (LFT), mas para facilitar o entendimento dos investidores, houve uma mudança em sua nomenclatura para permitir a rápida identificação de sua principal característica, que é a sua vinculação à Taxa Selic.

Esse título rende aproximadamente 100% da Taxa Selic (Selic Over), pouco importando se ela está alta ou baixa, e quando digo “aproximadamente”, quero dizer que o título pode rentabilizar exatamente a Taxa Selic, pode rentabilizar menos e também pode rentabilizar mais que a Selic, tudo dependerá do momento em o título é ofertado no mercado.

Ele é um título pós fixado, cuja rentabilidade é atrelada à taxa básica de juros da economia, a famosa Taxa Selic, de modo que a variação diária desta taxa enseja sempre em um valor positivo para o investidor, valorizando o montante aplicado todos os dias.

O Tesouro Selic apresenta uma volatilidade quase nula, ou seja, quase não ocorrem perdas de rentabilidade, mas esta característica conservadora também acarreta em uma rentabilidade menor que a dos demais títulos do Tesouro Direto.

Atente-se que, ainda que a volatilidade seja quase nula, o Tesouro Selic pode sim sofrer uma variação (volatilidade) em seu preço e em sua rentabilidade, mas que por conta da repactuação diária da taxa de juros sobre o valor investido, o montante sempre irá rentabilizar de maneira positiva, ou seja, o valor aplicado sempre irá crescer.

Vantagens do Tesouro Selic

Sua compreensão é bastante simples, o investidor aplica um certo montante de dinheiro, recebe este valor e mais os seus juros (valor de face), ou seja, seu fluxo de pagamento é simples (não paga juros semestrais).

Essa simplicidade permite que o investidor venda o título antes da data de vencimento e sempre consiga receber o valor de face (valor investido mais a sua rentabilidade positiva), mesmo em períodos em que a Taxa Selic esteja queda.

Este título acompanha a variação da Selic, de modo que, quanto mais alta a Taxa Selic, maior será a rentabilização do Tesouro Selic e por outro lado, quanto menor a Taxa Selic, menor será a rentabilização deste título.

Ele é recomendado para aqueles investidores que não podem esperar até a data de vencimento do título ou mesmo para aqueles que estão focados em um objetivo de curto prazo.

O Tesouro Selic também é indicado para a criação da sua reserva de emergência, isto é, aquele valor que custeará o seu estilo de vida durante eventual período de turbulência em que você vier a passar.

Como já mencionado, esse título realiza um fluxo simples de pagamento, isto é, não paga juros semestrais, razão pela qual ele se tornará um pouco mais rentável para aqueles investidores que conseguirem esperar até a data de vencimento do título para receber tudo ao final da aplicação.

Saiba que este título sempre será melhor que a caderneta de poupança, pouco importando o prazo que você deixar o dinheiro investido e pouco importando qual será a alíquota (percentual) do imposto de renda que incidirá sobre o Tesouro Selic.

Ainda que você faça o resgate do título e pague a alíquota mais alta de imposto de renda (22,5%), ainda assim o Tesouro Selic será melhor (rentabilizará mais) do que o investimento na poupança.

Rentabilidade líquida acumulada tesouro direto x poupança

O Tesouro Selic é fortemente recomendado para quem deseja abandonar a poupança e obter uma rentabilidade real (acima da inflação), e ainda contar com a segurança e simplicidade de um excelente investimento.

Rentabilização do Tesouro Selic

Para calcular o valor de um Tesouro Selic LFT, você precisa de 4 dados:

  • 1º) Valor do último Valor Nominal Atualizado (VNA);
  • 2º) Meta da taxa Selic,

Com estes dois dados é possível encontrar o Valor Nominal Atualizado Projetado (VNAprojetado).

  • 3º) Taxa contratada;
  • 4º) Número de dias úteis até o vencimento do título;

Com estes dois últimos dados, é possível encontrar a cotação do título.

De posse destes 4 dados, torna-se possível encontrar o Preço Unitário (PU) do Tesouro Selic em qualquer momento.

Vamos explicar melhor cada um deles.

1º) Último Valor Nominal Atualizado (VNA)

O Valor Nominal Atualizado é, em simples palavras, o valor do título na data de seu vencimento. No caso do Tesouro Selic, o VNA é atualizado diariamente pela Taxa Selic.

O cálculo aqui não é tão simples, pois a Taxa Selic é anual e o VNA do Tesouro Selic é atualizado todos os dias, razão pela qual torna-se necessário transformar Taxa Selic anual em uma taxa diária.

2º) Meta da Taxa Selic

Também é necessário encontrarmos a projeção da taxa Selic para o dia da liquidação financeira. Atente-se, pois, que existem diversas projeções de taxa Selic disponíveis no mercado.

No site do Banco Central, logo em sua Página Inicial, nós podemos encontrar a meta da Taxa Selic.

A meta disponibilizada é uma taxa anual, por isso é necessário transformá-la em uma taxa diária utilizando-se a seguinte fórmula (1+Taxa anual)1/252.

3º) Taxa de Cotação Contratada

Por se tratar de um título pós fixado, o investidor receberá a variação diária da Taxa Selic, variação esta compreendida entre a data de compra e a data de vencimento/resgate, decrescida de ágio (se houver) ou acrescida de deságio (se houver).

Ágio = acréscimo (investidor paga mais caro no título).

Deságio = desconto (investidor paga mais barato no título).

Se o Tesouro Selic estiver com ágio (acréscimo), o investidor receberá uma remuneração MENOR do que a Taxa Selic diária. Porém, se o título estiver com um deságio (decréscimo), o investidor receberá uma remuneração MAIOR que a Taxa Selic diária.

Como mencionado no início deste artigo, o Tesouro Selic pode rentabilizar mais ou menos a Taxa Selic ou ainda pode rentabilizar exatamente (100%) dela, razão pela qual pode não haver essa Taxa de Cotação (ágio ou deságio que mencionamos acima).

Por exemplo, se for adquirido esse título com ágio (Taxa de Cotação) de 0,01%, a rentabilidade corresponderá ao percentual da Taxa Selic, menos os 0,01%. Em estando a Taxa Selic no patamar de 10%, a rentabilidade deste título será em torno de 9,99% (10% – 0,01% = 9,99%).

Para facilitar ainda mais a compreensão, suponha que você invista R$ 1.000,00 em uma LFT no início do ano e suponha ainda que a Taxa Selic permaneça estável em 10% durante todo o primeiro ano de aplicação. Ao final deste primeiro ano, o seu investimento estaria no patamar de R$ 1.100,00.

Observe que o cálculo é um pouco mais complexo do que isso, mas este exemplo serve para que você tenha uma noção do comportamento deste título.

Agora, se no segundo ano de investimento a Taxa Selic subir para 11%, a sua aplicação irá rentabilizar esses 11%.

Obs: Para encontrarmos o valor do título, basta multiplicar o VNAprojetado pela cotação.

4º) Dias úteis até o vencimento

Este é o último dado necessário para calcularmos a rentabilidade do Tesouro Selic, isto é, o número de dias úteis até o vencimento do título.

De maneira bastante simplificada e sem utilizar termos técnicos, essa é a lógica por trás da rentabilidade deste título.

Riscos do Tesouro Selic

Apesar de todas as explicações anteriores terem sido favoráveis à este título, chegamos em um momento de alerta para dizer que é sim possível que o investidor venha sofrer algum tipo de prejuízo com a LFT e isso acontece em uma hipótese específica.

Essa hipótese específica refere-se à venda do Tesouro Selic em período inferior à 30 dias de sua compra. Saliente-se que não existe nenhum investimento de renda fixa que tenha uma rentabilidade expressiva antes de 30 dias de sua compra.

Após você adquirir uma fração do Tesouro Selic, você perceberá em seu extrato que o título estará com uma rentabilidade negativa e isso acontece pelo fato de que o extrato exibirá o preço venda do título para aquele dia e este preço de venda tende a ser menor que o preço de compra do título.

O extrato sempre estará lhe mostrando o valor que você receberá no caso de vender o seu título de maneira antecipada naquele dia, descontando-se todos os impostos e taxas incidentes naquele momento.

Durante os primeiros 30 dias, haverá a incidência do IOF e a diferença entre o preço de compra e o preço de venda fará com que a rentabilidade do Tesouro Selic seja negativa, além é claro da incidência o Imposto de Renda, da Taxa de Custódia da B3 e eventualmente da Taxa de Administração da sua Corretora ou banco.

Perceba que esta rentabilidade negativa não é uma característica apenas do Tesouro Selic, mas sim de todos os títulos ofertados pelo Tesouro Direto, bem como dos demais investimentos de renda fixa.

No caso da caderneta de poupança, se houve um saque antes de 30 dias, a rentabilidade da aplicação será de 0%. No caso de uma LCI ou LCA não é permitido ao investidor a realização de saques antes de 90 dias. Portanto, a lógica se aplica de maneira igual à todos os investimentos de renda fixa.

Essa situação de perda decorrente das oscilações do mercado recebe o nome de Risco de Mercado e, no caso do Tesouro Selic, somente acontece na hipótese específica de venda do título antes de 30 dias de sua compra.

Fora essa situação, não há que se falar em risco de mercado envolvendo o Tesouro Selic, até porque você deve se lembrar que este título é pós fixado e indexado à Taxa Selic.

Custos do Tesouro Selic

Nos investimentos do Tesouro Direto podem incidir 4 diferentes espécies de custos, de modo que 3 deles PODEM não incidir, tudo dependerá da estratégia adotada pelo investidor.

Imposto de Renda

Vamos então começar tratando do único custo que obrigatoriamente incidirá, que é o Imposto de Renda sobre o lucro dos investimentos. Esse imposto é cobrado automaticamente ao final do investimento ou quando o investidor realizar o resgate antecipado dos títulos ou mesmo, quando receber os cupons semestrais nos títulos que pagam estes cupons.

O IR incidirá apenas sobre o rendimento resultante dos títulos.

Sua alíquota (percentual) é regressiva, até 180 dias (6 meses) alíquota de 22,5%; de 181 a 360 dias (6 meses a 1 ano) alíquota de 20%; de 361 a 720 dias (1 ano a 2 anos) alíquota de 17,5%; e acima de 720 dias (mais de 2 anos) alíquota de no máximo 15%.

Você pode acompanhar essa cobrança através do extrato disponibilizado no seu Portal do Investidor.

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)

Essa é a sigla para Imposto sobre Operações Financeiras e irá incidir apenas sobre o rendimento dos investimentos que perdurarem por menos de 30 dias, isto é, que perdurarem por até 29 dias. Isso significa que se o investidor mantiver o investimento por 30 dias, não haverá a cobrança deste imposto.

O IOF incidirá apenas sobre o rendimento resultante dos títulos.

Sua alíquota varia de 96% a 3% sobre o valor do rendimento dos títulos, ou seja, a alíquota do IOF varia de 96% para o prazo de 1 dia, até 3% para o prazo de 29 dias. No 30º dia este imposto deixa de ser cobrado.

Por esse motivo, afirmamos que a cobrança do IOF pode não ocorrer, caso o investidor adote uma estratégia que mantenha o título por período superior a 29 dias.

Taxa de Administração

A Taxa de Administração é um valor cobrado pelas Corretoras ou pelos bancos que realizam a intermediação de compra e venda dos títulos públicos. Essa taxa pode ser livremente cobrada por essas instituições e, atualmente, varia entre 0% a 2%, ou seja, algumas Corretoras não cobram essa taxa.

Atente-se, pois a Taxa de Administração eventualmente cobrada incide sobre o valor total investido.

Ela é cobrada automaticamente no momento em que o investidor realiza a compra dos títulos e incide sobre o valor de mercado do título (valor do título no momento da compra).

O percentual de 0,1% até 2% (cobrado pela instituição) incide no valor relativo à 1 ano de investimento. Deste modo, essa Taxa de Administração será cobrada novamente após decorrido 1 ano da aplicação realizada, bem como será cobrada na ocorrência de algum dos seguintes eventos:

  • Venda antecipada do título;
  • Vencimento do título;
  • Pagamento do cupom semestral.

Para efetuar o cálculo da Taxa de Administração, deve-se utilizar o valor diário de mercado do título, mas explicaremos melhor essa sistemática no tópico seguinte sobre a Taxa de Custódia da B3, pois a sistemática destas duas taxas é praticamente a mesma.

A única diferença no cálculo da Taxa de Administração e da Taxa de Custódia, é a de que a Taxa de Administração é cobrada automaticamente de maneira antecipada no momento da aplicação e incide sobre o valor de compra do título.

Como pode ser percebido através do site do Tesouro Direto, existem várias Corretoras que não cobram Taxa de Administração dos investidores, de modo que existe a opção de não pagar por ela, razão pela qual também afirmamos que esta taxa pode não existir.

Taxa de Custódia da B3 (antiga Bovespa)

Essa taxa pode ou não incidir, a regra é que exista a cobrança de 0,30% ao ano, entretanto, excepcionalmente, ela pode ser de 0% para aqueles investidores que possuam mais de R$ 1.500.000,00 em investimentos na Bolsa de Valores, mas esta não é a realidade da maioria dos brasileiros, mas denota uma situação em esta taxa não seja cobrada.

Então vamos entender o que é essa taxa e entender para que ela serve.

Após a realização de compra, os títulos não ficam na posse da sua Corretora e nem do banco, mas sim junto a B3, especificamente na CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), que é um departamento da B3.

Por conta desta custódia, incide a taxa de 0,30% ao ano sobre o valor total dos títulos públicos que o investidor possui, sendo que este percentual é cobrado proporcionalmente ao período em que o investidor mantiver o título aplicado, sendo calculado até o saldo de R$ 1.5000.000,00 por conta de custódia (valor investido).

Sua cobrança acontece no caso dos chamados Eventos de Custódia, que são os seguintes:

  • Cobrada semestralmente no primeiro dia útil de janeiro e no primeiro dia útil de julho;
  • Cobrada quando do pagamento dos juros semestrais, referentes àqueles títulos que pagam cupons semestrais;
  • Cobrada quando houver o vencimento do título;
  • Cobrada quando o investidor vender o título antecipadamente.

No caso de venda antecipada, o investidor pagará esta taxa sobre um valor proporcional ao tempo em que permaneceu com o título.

Deste modo, é possível perceber que a Taxa de Custódia de 0,30% ao ano da B3 é calculada diariamente sobre o valor diário de mercado títulos (é isso mesmo, você não leu errado rs).

Nos casos em que, no semestre, a somatória da Taxa de Custódia e eventualmente a Taxa de Administração da Corretora/banco for inferior à R$ 10,00, o valor destas taxas será acumulado e será cobrado no semestre seguinte.

A B3 justifica a cobrança desta taxa no fato de que ela realiza o depósito (guarda) dos títulos para o investidor, justifica também no fato de que ela precisa manter um sistema referente à plataforma do Tesouro Direto, bem como no fato de guardar as informações e movimentações dos saldos dos investidores.

Ao contrário da Taxa de Administração, a Taxa de Custódia não possui cobrança automática, isto é, embora ela seja cobrada sobre o valor do montante investido, ela não será descontada automaticamente do investimento realizado.

Para que haja o efetivo pagamento da Taxa de Custódia, é necessário que o investidor deposite em sua Corretora ou banco, o valor relativo aos 0,30% (ou deposite o valor proporcional ao tempo em que permaneceu com os títulos), denotando um plus (valor a mais) que o investidor deve pagar.

As 8 Principais Características do Tesouro Selic (LFT)

Para facilitar o estudo e compreensão sobre esse importante título do Tesouro Direto, elaboramos um resumo contendo as 8 principais características do Tesouro Selic (LFT).

  • ) É indicado para o investidor iniciante;
  • ) É indicado para o investidor com perfil conservador;
  • ) É indicado para o investidor que não sabe quando precisará resgatar o valor aplicado;
  • ) Dentre todos os títulos ofertados pelo Tesouro Direto, o Tesouro Selic é o que possui o menor risco de perda de dinheiro (menor risco de mercado);
  • ) Baixa volatilidade em relação ao seu valor de mercado, o que diminui consideravelmente o risco de perdas nos casos de venda antecipada do título;
  • ) Pode ser muito mais rentável que um fundo de investimento de renda fixa e pode muito mais rentável que um CDB atrelado ao CDI;
  • ) É mais rentável que a caderneta de poupança;
  • ) Pode ser rentável independente do volume de dinheiro aplicado e do período do investimento.

Então é isso, tentamos ser o mais didático possível ao explicar sobre esse título do Tesouro Direto, mas se ficou alguma dúvida basta deixar uma mensagem que responderemos com o prazer.

Um abraço e até próxima.

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